Ator ( ou atriz) entra cantarolando o seguinte trecho da música "Luz Negra" (Nelson Cavaquinho):
"A luz negra de um destino cruel
Ilumina um teatro sem cor
Onde estou representando o papel
Do palhaço do amor"
Ator se prepara para a cena.
Talvez ele prepare o espaço, 'monte a cena'.
Vim narrar o que realmente importa. Ser ator talvez seja colocar as entranhas em movimento. Inação. Fundura onde corta o silêncio. Arranha, escorre sangue. Ator: aquele que age por exelência. Eu imobilizado. Eu perdido. Eu entre a impossibilidade de realizar o gesto, entre a inutilidade do gesto, entre a irrepresentabilidade e o vazio. Os contraditórios hematomas todos.*Todo sentimento poderoso provoca em nós a idéia do vazio.
Me transformo num agente banal a serviço do que realmente importa: nada de estados de alma complexos, nenhum papel social.
Finjo que sinto o que digo. Finjo que vivo o que vivo. A cena de amor está montada. Trata-se de uma separação:
Cena
Eu estou decepcionado comigo. Mais uma vez me deparo com minha incapacidade de conviver, de partilhar as pequenas coisas desimportantes com alguém. Mais uma vez vem me sufocar a impossibilidade de transcendência. Eu não caibo em mim, não caibo nesta sociedade nem neste mundo. Não posso te tocar, não vejo além do que meus olhos veêm, não amo para além do meu peito. Eu e você, tudo difuso, misturado. Mas, porra, existe um ponto para além do qual não podemos avançar: não te afeto, não te sinto, não me afetas, não me sentes, para além desse maldito ponto existe um território (existe?) - inalcançável. A antiga questão da incomunicabilidade. O que eu faço do meu desejo imenso de comer você, de te ter dentro de mim, pulsando no meu organismo, na minha carne, de me misturar com a tua alma? Oque eu faço da minha utopia?
O que realmente importa
Vim narrar o que realmente importa, meu caros.
Toda essa cena, esse filme. Nada seria possível sem o apoio e o patrocínio da Fundação Católica para Desenvolvimento da Felicidade, do Amor e da Paz Universal. Aproveito a oportunidade para divulgar o novo livro da Fundação, escrito pelo padre, teólogo, cantor, apresentador e bailarino Mariozinho Silva. O livro se chama "Amor e utopia - como ser inteiro e feliz no século XXI". O lançamento acontece na Livraria Cultura no próximo dia 20, numa noite muito especial de autógrafos. Estão todos convidados. Estou realizando a pré-venda do livro, agora, aqui na minha mão, saí por apenas R$ 39,90. QUem tiver interesse pode me procurar no final.
* Antonin Artaud.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
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