Mas sei que não é nada do que eu tenho feito. Também não está muito perto de nada que eu tenha assistido ou lido. Sei lá...
O que eu penso de um teatro sincero existe na minha cabeça de forma abstrata. Talvez porque esses pensamentos só façam sentido se forem tranformados em prática, na sala de ensaio. Mas não sei com quem. Nem como.
É uma sede de coletivo, de verdades e inquietações partilhadas... De que a cena seja essencialmente um lugar de risco, sem regras que limitem a criação.
Eu preciso estar em risco. A entrega é um encontro difícil e que se atinge lentamente. Para existir esse encontro é preciso que o ator esteja relaxado e a vontade em cena, ainda que esse seja necessariamente um lugar perigoso.
Eu sou tímido. E quando eu comecei a fazer teatro na escola, na 7ª série, a gente fazia muitas apresentaçõezinhas e era um puta sofrimento. Umas 80 pessoas no público por apresentação, sei lá, e eu morto morto morto de vergonha... Mesmo nas experiências que eu tive com teatro antes disso, sempre foi muito sofrido pra mim a coisa de estar na frente de um monte de gente que espera que você diga algo, que você faça gestos, que você se mova... Claro que isso mudou bastante. Mas a essência desse sofrimento ainda existe em mim. E talvez esse seja o meu prazer maior em representar. Um sofrimento que é pura vergonha e timidez. A sensação de estar num campo absolutamente aberto a criação, a principio, deve ser parecido com isso. Depois deve ser um prazer mais simples.
O engraçado é que eu to sempre descobrindo e esquecendo o quanto eu gosto de atuar.


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