segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

pré nada

É uma vibração lenta que se apodera do corpo. Tudo muito lento. A essa vibração eu não daria um nome. Fruto do tédio. Das promessas todas. Nascida do fluxo solitário de ódios e sentimentos mais confusos. Dos dias passados em estado de quase febre. O corpo se deixou tomar. Serena e estranhamente, o corpo se deixou. Foi tomado, agora já completamente, por esse pré-estado vermelho que é o ínicio da vibração mais densa. Só os sentimentos mais confusos interessam, vestiremos assim o corpo de abstrações e metáforas inúteis e quase belas. O corpo estará mais nu e satisfeito: necessita de nudez mais sincera. A quase vibração quase lentamente modifica lentamente o quase tédio, nascido em meio ao nada repleto de promessas, ódios, sentimentos mais confusos e um estado de quase febre.
Importa o corpo, e que ele se mantenha assim. Quase aprisionado. Buscando uma intensidade que lhe é absolutamente negada. Na iminência de não sair do lugar. Inércia triste e sem gritos. O corpo se mantém assim. A respiração pouco se modifica. O pré-estado vermelho se mantém. Tudo iminência e quase. Promessa.

[ depois de um dia em casa, desempregado, sozinho, depois de assistir dois filmes, terminar um livro, fazer muitas ligações curtas e ao som dos Beatles ]

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