domingo, 27 de dezembro de 2009

A mulher não olha. Evita imaginar.
O homem estaria ali. Nu.
Meu Deus... por que deixei as janelas de casa todas abertas. Com esse verão terrível, tempo abafado, eu vi no céu nuvens horríveis, pretas... Meu Deus vai chover e molhar tudo. E eu aqui.
Abriu os olhos devagar e não soube se o que sentiu era decepção alívio alegria, não soube se estranhou aquilo.
Mas o homem simplesmente se masturbava. Ela ali tola de olhos fechados esperando a penetração, temendo as janelas abertas. E o amante em seu canto, masturbando-se de olhos fechados numa concentração admirável. Talvez ela devesse se vestir e sair. Chegaria a tempo de trancar a casa - antes que se precipitassem as primeiras gotas de um temporal. Talvez não fosse educado, teria que esperar que ele gozasse, aí então.
Meu Deus, por que esse amante? Não sinto prazer. Nem amizade. Um quase pensamento muito leve brevemente lhe passou pela cabeça. Porque ele me quis.
Não demorou mas pareceu demorar. O homem gozou.
Ela se abandonou e desistiu de ir para casa. Inútil. Já podia sentir a chuva quente e branca lá fora.

0 comentários:

Postar um comentário