domingo, 22 de novembro de 2009

Desabafo moderado

Hoje fiquei inquieto. Por tudo. Sexta tivemos a penúltima mostra do ano do vocacional. Ontem teríamos ensaio normal. E hoje fui pro ensaio do Pé de Lama.

Mostra

Na primeira mostra em que apresentamos ceninhas do Sete gatinhos eu fiquei feliz - por que eu não esperava tanto. Na hora eu senti uma coisa intensa, na apresentação inteira. Comecei a acreditar que podíamos sim ser um grupo e quem sabe entender a essência do espetáculo.
Já passaram umas 6 mostras... E nessa última eu nem sei direito o que senti.
Pela primeira vez mostramos quase todas as cenas que a gente tem. E pela primeira vez o Anderson participou.

Henrique: Ahh vocês tão caminhando... Teve algumas pessoas que falaram muito baixo mesmo. Mas tem que dar nome aos bois: a menininha e não-lembro-mais-quem e ciclano, etc.

Dida: Ahhhh cara vocês falaram muito baixo. Teve cenas que eu não ouvi/entendi (quase) nada... Não é pra você se achar não, mas cê tava sobrando lá... Só você falava alto. Dá pra ver um trabalho de corpo legal... E aquela coisa de andar de quatro, e do médico que vai rastejando até a Silene... De quem foi essa idéia, da orientadora de dança? Meuu, não significa nada, fica uma ação vazia. Parece que vocês andam de quatro pra justificar o nome da peça.

Eu me explicando: É, tem umas questões bem básicas. A gente fala baixo. Algumas cenas inda tão muito sujas. Mas acho que dá pra resolver.

Ensaio de sábado

Quando me despedi do pessoal na mostra fiz questão de lembrar: Esaio normal amanhã, ás 16h. Só metade do pessoal foi na porra do ensaio. Caralho... Será que por que a Nora faltou no ensaio eles acharam que não precisavam ir? (Quase) NINGUÉM ainda entendeu que não dependemos do vocacional.
Por mais que eles falem de boca cheia: nós somos um grupo. O que diferencia a gente de uma turma do vocacional não é nada. O Vicente, orientador da turma ano passado, falou isso: É todo um processo de passagem, de transição de turma para grupo.
Faz quase um ano que nos encontramos pelo menos uma vez por semana e... Somos uma turminha perdida do vocacional. As meninas só querem saber de brincar, dar risadinha, fazer fofoquinha... "Ahh pq fulano no dia que eu faltei no ensaio ficou puto comigo, e eu não acho isso certo e.. e.. e... "
Eu invensti por que eu queria que desse certo. Queria que todo mundo entendesse junto o que queremos dizer com Os sete gatinhos, e se temos algo a dizer JUNTOS. Mas já vi que isso não rola. Se ao invés de ter escolhido o texto do Nelson tivessemos escolhido qualquer outra coisa o processo seria o mesmo! Se tivessemos escolhido uma adaptação de um musical da Disney ou uma comédia de costumes tosca do século IXX, o pessoal ia fazer da mesma forma e com a mesma vontade.
Talvez não a questão da turma, mas a minha questão pessoal: Intensidade, verdade. Eu tenho algo dizer.

Ensaio do Pé de lama

Como das outras vezes só eu cheguei no horário. Mas normal, bom que comecei a ler um livro enquanto esperava. Eles passaram a peça infantil.
O Roberto deu mil broncas neles: "Isso tá uma merda, se continuar assim eu vou pra casa. Não vale a pena eu perder meu tempo aqui para vocês fazerem essa porcaria."Me passava a impressão de quem tá falando com crianças, "Olha, se não fizer o dever fica sem sobremesa." É absurdo...
Me lembra quando eu fazia teatro na escola e o professor nos tratava exatamente assim. Mais triste ele dando bronca na Sônia: "Sônia seu personagem tá sem expressão etc etc etc... Você não cria!!!"
Quando eu penso em ator-criador não digo só no sentido de criar um personagem. Mas num sentido bem amplo: criar dramaturgias, propor vivências, elementos de cena, cenário... Penso numa coisa coletiva. Sim, o ator vai criar um personagem... Mas ele vai criar encima do que? Da sua leitura pessoal de um texto? Talvez. Talvez esse seja um dever do ator. Mas e o que é que o diretor pode levar para possibilitar que o ator crie (nesse sentido mais amplo)? Levar sensações, imagens, situações, jogos. O ator tem que jogar lado-a-lado com o diretor. Se o ator confiar no diretor sem que exista uma relação de subordinação, talvez exista o coletivo! O coletivo, eu acho, é o que mais chega perto da sinceridade absoluta.
O Roberto falou assim: Eu sou ótimo pra destruir ego de ator. Nunca trabalhos com egoísmo. Não é por nada não, mas acho que esse tipo de diretor é mestre em colocar seu ego acima do ego do ator.
Outra coisa é o teatro infantil. A peça deles tem uma linguarem meio circense, sabe? Por que o teatro infantil sempre mente para as crianças? Por que subestimar? Fazer teatro infantil para vender?? Fazer isso por que? Pra ser bonito? Por vaidade?
Eu assisti uma peça infantil que me agradou. Se chama "Qual será o nome do anão?" Como toda peça infantil, é bem interativa. É baseada num conto de fadas super estranho. Todos os atores se revezam fazendo todos os personagens, masculinos e femininos. Os atores não saem de cena. Dava pra notar uma certa sinceridade e o prazer deles.


Tentar resumir essas coisas só me deu sono.

3 comentários:

  1. Quando a gente tava conversando no ponto de ônibus sobre processos criativos. O ônibus chegou e eu interrompi a conversa.
    Ai lendo o seu relato da mostra fiquei com vontade de conversar com o que vc registrou.

    Pra começar preciso dizer que discordo do Dida em quase tudo que ele disse.
    Vamos aos porquês:
    a) Estamos falando em processo e falar em processo quer dizer que o que está em cena ainda não é espetáculo.
    Processo é antes de tudo uma descoberta continua, descobre-se na sala de ensaio como se cria em grupo.
    b) acho que a questão não é de volume de voz, mas sim que na sala de ensaio o volume da voz não é problema porque na sala de ensaio o espaço é menor! E é interessante vcs começarem a pensar que o corpo de vocês não é fragmentado, que corpo, voz, desejo, pensamento são uma coisa só. Que cada movimento , gesto ação que a gente faz modifica a voz por exemplo. Acho legal pensar na voz como extensão do gesto, da ação, do corpo.
    c) Eu gosto da preparação corporal que vcs tem . gosto das distorções dos personagens masculinos e do gesto contido das personagens femininas que vai se revelando a medida que vão desconstruido o figurino.
    Não acho que vc fernando destoa do restante do elenco, acho que são processos de criação de personagem diferentes.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Continuando:

    O processo dos sete gatinhos também é o processo de formação de um grupo. Se montar uma peça não é algo tranquilo formar um grupo é menos ainda.
    O encontro de amigos é legal, mas precisa de mais né? uma das coisas é tempo. Tempo para conhecer seu colega, tempo para um treinamento de ator, tempo pra descobrir uma estetica, uma linguagem, uma vontade em comum. E de alguem que fale: Gente vamo baixar a bola.Ce ta atrasado. Amanha tem ensaio oooo
    Ou pra você quem sabe não é hora de procurar um fazer teatral fora do vocacional?

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