segunda-feira, 29 de abril de 2013

... (do caminho que se caminha mesmo sem se saber)

http://www.youtube.com/watch?v=61WEQUjiXas


"Quem sabe casando cura / Ninguém sabe o que procura."
(Itamar Assumpção / Alice Ruiz)


Me reconheço mais nas minhas memórias de dois, três anos atrás do que no que tenho vivido hoje. Parece que o primeiro passo era o mais cheio de energia, animado (repleto de Deus!). Era o passo de descoberta, que trazia em si o prazer e o medo de tocar pela primeira vez o absoluto desconhecido. Parece que tudo foi se tornando mais ou menos conhecido - não desbravado por completo por que isso nem numa vida inteira e bem aproveitada se faz. Mas quase tudo hoje soa meio desinteressante. Sei que não é verdade. Mas parece que o sabor mais gostoso que pode haver já passou. O melhor beijo. A melhor intimidade. A melhor cena assistida, criada, vivida. Os melhores abraços.  Meus melhores poemas escrevi quando eu estava com 12, 13  anos - e não foram muitos. Minha grande alegria de hoje é ouvir canções que, em sua maioria, conheci em outros tempos e me lembram os poucos e bons amigos que me tocaram a alma. Minha grande alegria de hoje é escrever uma peça para uma grande amiga que parece não me amar mais. É planejar escrever uma necessária carta para um amigo que foi morar em outro lugar.
Invejo quem possui alta consciência de si. Quem entende com clareza o passo que dá atualmente num caminho maior, que, quero crer, seguimos todos. Mesmos os que como eu, por medo, ingenuidade ou sei lá o quê - sofrem de ausência crônica de consciência de si, não deixam, quero crer, de dar seus passos.

Escrevi outro dia, meio por acaso, e com certo otimismo:

Ter consciência de seu tamanho
E nem desesperar-se
Enxergar a banalidade de tudo
E alegrar-se.


Santidade suspensa erguida junto a deus

Pende o corpo
Em pleno voô
Hesita
Estava no ar há horas
Encontra mínima firmeza
Dizem que voou sempre
Pausa
Como ser alado e santo
Pende de novo
De luz celestial
E de novo
E delicado, incandescência aflorada
E de novo...
Anjo matado por flecha
Pende.
Hesita. Tem êxito.
A queda é lenta e quem cai é ser centelha brasa intensa pura de essência mesmo de deus sempre acesa matado de flecha morte estúpida estrela absoluta flameja brilha o homem que não suporta a morte mais estúpida apaga Que não se repita Que não se repita Que não se repita Amém! Assim seja e assim se faça! Fiat!!!

Necessidade de fluir como riacho




Fluir
No compasso
Polipossível
De cada
Segundo
Correnteza
Mansa
Que flui
Num rio
Profundo
De espaços 
De eterno
Ir.
De constância
Bela
E sem volta.
Conhece sua força
E destino:
Fluir
Para o além
Do além
Do mais além
De dentro.
É música
Mais que suave
E sem fim.
Corrente
Larga
Solta na liberdade
De ser
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah coisa eterna necessária!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Teatro

Ator ( ou atriz) entra cantarolando o seguinte trecho da música "Luz Negra" (Nelson Cavaquinho):

"A luz negra de um destino cruel
Ilumina um teatro sem cor
Onde estou representando o papel
Do palhaço do amor"


Ator se prepara para a cena.

Talvez ele prepare o espaço, 'monte a cena'.

 Vim narrar o que realmente importa. Ser ator talvez seja colocar as entranhas em movimento. Inação. Fundura onde corta o silêncio. Arranha, escorre sangue.  Ator: aquele que age por exelência. Eu imobilizado. Eu perdido. Eu entre a impossibilidade de realizar o gesto, entre a inutilidade do gesto,  entre a irrepresentabilidade e o vazio. Os contraditórios hematomas todos.*Todo sentimento poderoso provoca em nós a idéia do vazio.
Me transformo num agente banal a serviço do que realmente importa: nada de estados de alma complexos, nenhum papel social.
Finjo que sinto o que digo. Finjo que vivo o que vivo. A cena de amor está montada. Trata-se de uma separação: 

Cena

Eu estou decepcionado comigo. Mais uma vez me deparo com minha incapacidade de conviver, de partilhar as pequenas coisas desimportantes com alguém. Mais uma vez vem me sufocar a impossibilidade de transcendência. Eu não caibo em mim, não caibo nesta sociedade nem neste mundo. Não posso te tocar, não vejo além do que meus olhos veêm, não amo para além do meu peito. Eu e você, tudo difuso, misturado. Mas, porra, existe um ponto para além do qual não podemos avançar: não te afeto, não te sinto, não me afetas, não me sentes, para além desse maldito ponto existe um território (existe?) - inalcançável. A antiga questão da incomunicabilidade. O que eu faço do meu desejo imenso de comer você, de te ter dentro de mim, pulsando no meu organismo, na minha carne, de me misturar com a tua alma? Oque eu faço da minha utopia?

O que realmente importa

 Vim narrar o que realmente importa, meu caros.
Toda essa cena, esse filme. Nada seria possível sem o apoio e o patrocínio da Fundação Católica para Desenvolvimento da Felicidade, do Amor e da Paz Universal. Aproveito a oportunidade para divulgar o novo livro da Fundação, escrito pelo padre, teólogo, cantor, apresentador e bailarino Mariozinho Silva. O livro se chama "Amor e utopia - como ser inteiro e feliz no século XXI". O lançamento acontece na Livraria Cultura no próximo dia 20, numa noite muito especial de autógrafos. Estão todos convidados. Estou realizando a pré-venda do livro, agora, aqui na minha mão, saí por apenas R$ 39,90. QUem tiver interesse pode me procurar no final.



*  Antonin Artaud.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Essa roda que gira em êxtase - o 1º Grande movimento

Os primeiros dias

evitou o abraço. Sabia que deveria dividir qualquer possibilidade de afeto em muitos pequenos gestos de modo a preencher a eternidade que cabe numa vida.Todo gesto pequenino e lento. Fração complexa de coisa imaterial e portanto impossível de ser medida. Limitou-se a lançar um olhar de soslaio. Até a visão do ser amado deveria ser evitada.
  "Ser amado". Não convém aqui falar em amor, já que esse sentimento é inevitavelmente associado a clichês românticos e limitado por aspectos morais pertencentes a determinada organização social. Tratamos aqui de níveis subjetivos complexos da compreensão possível entre duas criaturas que respiram. Relações de conhecimento que se travam em campos sutis e obedecem rigorosamente a leis físicas de energia. Ciência pura.
  Ela não pôde mais conter a coceira que a incomodava a pelos menos três noites e três dias - pulgas piolhos, imaginou. Deixou com suas unhas crescidas um rastro de sangue na coxa branca. O que verdadeiramente importava a ela era a respiração do outro na cama. Será que também estava acordado? Sabia que deveria economizar também palavras.
  Evitou pensar no caminho percorrido até aquela cama. Um longo trajeto de sorrisos, abraços, rosários, ave-marias, amigos, o trabalho agradável na fábrica, o processo repentino por meio do qual tudo foi destituído de sentido.
  Revira-se.Espreguiça-se. Inspira fundo o cheiro de mofo. Os dedos manchados de sangue tremem, todo o corpo manchado de leve vertigem e coisa parecida com esperança treme.
  A vida se resume agora a esse quarto de hotel barato - com lençol furado, colchão velho sujo rasgado, paredes com infiltração e rachaduras, banheiro repleto de manchas vestígios suspeitos. O hóspede tem direito a um preservativo,  um pequeno sabonete e  uma toalha encardida.
  Mas eis que, exclamação, o celular de nossa heroína toca. Depois de tantas noites e dias, talvez cinco, talvez mais, pela primeira vez um resquício da antiga rotina com a qual o casal preenchia a vida invade esse retiro pouco espiritual mas muito edificante a que eles se submetem. Ela observa o aparelho, deixa tocar durante um minuto e vinte segundos, depois atende. Alô

Antes do começo


8:00h  Ela passa o cartão de ponto. Atravessa a catraca. Cumprimenta sem muita intimidade as colegas de trabalho.

domingo, 17 de outubro de 2010

O QUE PERMANECE IMÓVEL NÃO PODE SER DIVINO

"Quando executamos alguma coisa estamos apenas repetindo o que os outros fizeram, dispersamos energia e ficamos vazios. Mas quando criamos estamos absorvendo toda a energia que há na Terra e nos céus, crescemos em nós mesmos, e só teremos é que suportar essa grandeza para que não nos destrua, e é preciso ter cuidado."

Moacir C Lopes - A ostra e o vento

sábado, 2 de outubro de 2010

Verde Valsa

Posso escrever
E poetizar
..............Mas não me convém

..............Posso arder
.......E posso amar
Mas deconheço o caminho

Em meu vasto
Vazio interior
Onde não habita a
...............Poesia
Onde não habita o
...............Amor,

É lá que se passa
Esta divina dança,
.............Valsando
.............Lentamente,
Pequeninos e coloridos
Pedacinhos
.................de esperança.